Jornadas

1º semestre – 4 sábados

Neste ano de 2018, faremos algumas Jornadas visando trabalhar duas vertentes clínicas desdobradas a partir do estudo das psicoses.
A primeira será a leitura do Seminário de Lacan As psicoses, seguindo uma indicação de Charles Melman a respeito do caso Schreber, o tema do “empuxo à mulher”, em torno do qual se estruturou seu delírio. Ao explorar esse tema, poderemos abordar, ainda, uma série de questões clínicas a respeito do feminino na contemporaneidade. Essa vertente de trabalho constitui um desdobramento da presença do Tempo Freudiano no Seminário de Inverno da Association Lacanienne Internationale (A.L.I.) e também uma preparação para nossa presença no próximo Seminário de Verão da A.L.I., a ser realizado entre os dias 29 e 31 de agosto. Ambos os eventos têm como objeto de trabalho a questão da psicose. No escopo dessa iniciativa, vamos continuar o esforço de levar adiante o propósito de identificar as psicoses e as questões em torno de seu tratamento, que já vinham sendo sustentados em nossa Oficina de psicose.
A segunda vertente clínica será dedicada aos estudos sobre os fenômenos de automatismo mental implicados nas alterações “senso-perceptivas”. Estes fenômenos, tão frequentes e, em geral, especificantes das psicoses como estrutura clínica, estão, além disso, estreitamente ligados à imagem do corpo e à constituição do Eu, sendo, portanto, de grande interesse também para a clínica da neurose.
Encontramos ainda, na exploração dessa vertente, um lastro teórico-clínico importante para abordarmos uma extensão da clínica em sujeitos que, sem serem psicóticos, sofrem intervenções médicas que repercutem significativamente nesse registro da imagem e do corpo, com efeitos psicopatológicos para suas organizações subjetivas.
Visando instruir essa vertente, o Tempo Freudiano receberá, em novembro de 2018, numa parceria com o INCA-RJ e a UFRJ, o psicanalista Stéphane Thibierge, membro da A.L.I., para trabalhar as questões derivadas dessa clínica emergente, visando uma certa fundamentação teórica e levando em conta também situações clínicas que alguns colegas do Tempo Freudiano acompanham e trabalham no grupo Corpo e Finitude. Este grupo, que acontece às quartas-feiras, das 19h às 20h15, é o lugar, na instituição, em que se trabalham as questões do corpo como operação de linguagem e da transitoriedade que o marca. São questões que atravessam o dia a dia das instituições hospitalares, mas não apenas delas, e nos deixam face a face com a radicalidade implicada em escutar e dar lugar à palavra do sujeito, nessa incidência cortante que afeta o paciente e atinge, no mesmo golpe, o clínico que dá lugar ao seu dizer.
No ano de 2018, esse grupo de trabalho fará a leitura do livro de Andrée Lehmann, O dano do corpo: uma psicanalista em oncologia. Lehmann analisou-se com Lacan e esteve com ele por 20 anos na Salpêtrière, tratando de “psicoses pesadas”. Posteriormente, ele lhe apontou o trabalho em oncologia, tendo supervisionado por outros 20 anos suas intervenções no INCA de Paris, onde, pioneira, fundou todo o serviço de psicologia e a primeira clínica de dor. O funcionamento do grupo acontece ainda através da constante correspondência e endereçamento de questões a Andrée Lehmann, bem como a Claude Jamart e Anne Joos – analistas membros da A.L.I. e da Association Freudienne de Belgique.
As datas das Jornadas, bem como um maior detalhamento da programação de cada uma delas, serão encaminhados oportunamente pela Coordenação Institucional e pela Direção de Ensino do Tempo Freudiano.

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