Oficina de Clínica Psicanalítica

Ana Cristina Manfroni
Quintas-feiras, das 9h30 às 11h

 

Em seu primeiro Seminário, Lacan fala do valor fundamental de todos os escritos de Freud, onde cada palavra merece ser lida na relação à sua incidência, à sua ênfase, à sua expressão singular. Isso em oposição aos pós-freudianos que, por receberem o seu ensino de segunda mão, vêm a resultar no que Lacan chama de “degradação da teoria analítica”.

Lacan publica seus Escritos em 1966 e, dois anos depois – falando em seu Seminário sobre a dificuldade que os universitários têm de extrair desses escritos uma forma classificável -, afirma que o que lhes escapa é, exatamente, “o que está lá dentro, o que faz seu peso e essência (…) É a dimensão do trabalho o que precisamente se apresenta aí. Cada um desses escritos representa algo que tive que deslocar, dar impulso, acarretar nessa ordem da dimensão da resistência,(…) de situá-los ao nível dessa experiência enunciadora, denunciadora, que é a psicanálise.”

Assim, o que ele escreve – nos anuncia em 1971 – é o que, justamente por estar escrito – e que ele chama de uma tentativa de escritos -, justamente por isso é que não é entendido. Ele diz que “é nisso que o escrito se diferencia da palavra, e é preciso devolver-lhe a palavra e enquadrá-lo seriamente.”

Esses escritos, para ele cartas abertas (lettres) onde ele próprio se interroga sobre seu ensino e sua transmissão, são cartas que não se leem facilmente. Proponho que possamos lê-las juntos, para, quem sabe, podermos atravessar algum tempo para compreender.

Depois do trabalho com texto de 1945, “O tempo lógico e a asserção da certeza antecipada”, que nos reuniu em torno desse significante que tanto nos constitui, que nos une e nos corta, proponho um trabalho rente à clínica psicanalítica que permanentemente nos convida a trabalhar, no mesmo movimento que nos assombra. É com a pergunta “Quem analisa hoje?” que Lacan inaugura seu artigo de 1958, “A direção do tratamento”. Pergunta que conduzirá nossa leitura e frente à qual precisamos nos manter se pretendemos que a psicanálise possa, a cada vez, inaugurar seu discurso e celebrar o ato de Freud que a inaugurou.

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